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Segundo a última edição do Notícias de Fátima (n.º 346, 26.Março.2004, p. 7), Vítor Frazão (vereador da Câmara Municipal de Ourém) e José Manuel Pinheiro Lopes (ex-presidente da mesa da Assembleia Municipal de Ourém), enquanto militantes do PSD/Fátima, assinaram voluntariamente, junto com outros, uma carta onde informavam que se demitiriam dos cargos partidários locais caso o município de Fátima não fosse criado. Como é sabido, o município de Fátima não foi criado. Mas tanto Vítor Frazão quanto José Manuel Pinheiro Lopes não renunciaram aos respectivos cargos na comissão política concelhia do PSD. Pensaram e, entretanto, mudaram de ideias, não se sabe se para melhores ideias. Quem não apreciou esta mudança de posição foram alguns dos outros signatários da referida epístola. Que, defraudados, acusam Vítor Frazão e José Manuel Pinheiro Lopes de, por contrariarem a palavra antes dada, terem dado um mau exemplo, que não contribui para a dignificação da actividade partidária.
Para que a memória não seja curta, em banner ali em cima.
(...) Lançamento de livro coordenado por Vítor Frazão, presidente da Câmara Municipal de Ourém. Em rigor, obra colectiva sobre o concelho antes e depois do 25 de Abril e o poder autárquico, com protagonismo decisivo do PSD, a partir de 1979. Quase 500 pessoas e mais de 300 exemplares vendidos na hora. Fiquei muito impressionado com a renovação na futura equipa camarária social-democrata, contrastando com a repetição, pelo PS, de candidato das duas últimas eleições e colado ao Governo que o nomeou governador civil. E Vítor Frazão fez uma intervenção sagaz, afirmativa e virada para o concreto. Também orador, o ex-presidente Mário Albuquerque, felizmente recuperado de problemas de saúde. Cenário: a Quinta de S. Gens, com proprietário e gestor simpático anfitrião.
Apesar de termos reduzido considerávelmente o ruído, não foi suficiente para travar os trolls e cobardes anónimos, já que há malta que se dá ao trabalho de criar uma conta no gmail só para insultar um fulano sob a capa do anonimato. É muita força de vontade.
Entrando no Modelo de Ourém para comprar uma garrafa de vinho para a festança que se iria passar naquela noite de sábado, fui 'travado' por alguém conhecido que tomava café à entrada do hipermercado. Alguém que não via há algum tempo e por quem tenho bastante estima. Acontece que esse alguém é artista na arte de conversar, tendo obviamente como consequência a minha permanência naquele espaço por bastante mais tempo do que seria normal e de que eu desejaria. Palavra puxa palavra... naqueles cerca de 40 minutos que por lá passei, acabei por ver gente que não via há muitos e bons anos. Vi gente que gostei de ter visto e que já me deixavam saudades e outros vi que saudades nenhumas tinha deles (e muito provavelmente o inverso também será valido). Vi filhos de amigos cuja a existência nem sequer conhecia (!!) e vi casais cujo amor correspondido entre ambos ainda menos noção tinha. Não conheço outro lugar em Ourém onde tal me poderia ter acontecido. Tá visto que pela cidade pequena, imperam como ponto de encontro os hipermercados. Sinais do tempo. Sinais de uma cidade pouco inspiradora e pouco dada a espaços públicos de convívio, infelizmente.
- Legibilidade de fontes, maior clareza de leitura para monitores pequenos. A fonte anterior era demasiado pequena e os textos não tinham a legibilidade mais correcta. Penso que em todos os browsers isto ficou resolvido.
- Fazer upgrade para a última versão do MT, o nosso motor de edição. O que usávamos já acusava a sua idade.
- Alterar o sistema de comentários. A partir de agora, os comentários n'O Castelo serão geridos via Disqus. Para se poder comentar, basta criar uma conta no Disqus, verificá-la com um endereço de e-mail válido e estará apto para efectuar qualquer comentário neste blog com segurança e em outros que usem este sistema. O utilizador/comentador passa a ter uma conta onde pode definir o perfil, ter um e-mail associado, blog, Flickr ou outras informações de maneira centralizada. Em alternativa, caso tenha uma conta no Facebook, pode utilizá-la para se autenticar e efectuar comentários. Há algumas imperfeições na tradução para Português do Disqus, mas em breve será melhorado. Apesar de por vezes aparecer a indicação "Sem Comentários em vários artigos", os comentários antigos foram todos mantidos. Essa contagem apenas se aplica ao novo sistema. E pelo novo sistema, é possível comentar qualquer artigo desde 2004.
Ainda estou a corrigir problemas com a migração. Caso notem alguma falham nos links, avisem-nos pelo e-mail do costume.
A excelente fotografia do Castelo de Ourém que usamos no novo cabeçalho é do Nuno Abreu.
A teoria liberal deve ser aplicada cuidadosamente a cada caso. Observações superficiais sobre os problemas não ajudam à sua compreensão e resolução. Perante um problema ecológico, a pergunta que deve ser feita é: qual é o direito de propriedade que está a ser violado ou qual é o common? Alguns exemplos:
Eucaliptos: o problema dos eucaliptos deve-se, por um lado ao apoio do estado à indústria florestal, e por outro à inexistência de direitos de propriedade sobre a água. Se as indústrias florestais não fossem subsidiadas, a pressão para a plantação de eucaliptos seria menor. E se os plantadores de eucaliptos tivessem que pagar a água que consomem, o negócio não seria tão atractivo.
Aquecimento Global: o problema do aquecimento global é um problema de emissão de gases de estufa para um common global. A atribuição da culpa a este país ou aquele não vai resolver o problema porque cada país tem um incentivo para emitir gases de estufa que é superior ao incentivo para não emitir porque os ganhos são nacionais e as perdas globais.
Destruição de propriedades de valor ambiental: pode resultar da má alocação dos direitos de propriedade que impede a exploração do valor ambiental. Por exemplo, na costa algarvia há zonas em que vários proprietários competem para explorar a vizinhança da praia não tendo que pagar nada por essa utilização.
Destruição de propriedades de alegado valor ambiental: aqueles que alegam valorizar um determinado bem ambiental não estão dispostos a comprar esse bem. Por exemplo, embora muitos ecologistas sejam a favor dos parques nacionais, pouco estariam dispostos a pagar uma entrada para os visitar.
Suinicultoras de Leiria: O rio não é de ninguém e o estado não pode intervir porque não quer prejudicar os interesses económicos dos eleitores.
Água de consumo humano: É subsidiada. Por isso é que a água é desperdiçada e as empresas de água não têm muito interesse em processar os poluidores a montante para garantir a qualidade do seu input e a redução de custos de tratamento.
Pesticidas: É um problema de propriedade dos rios e das águas subterrãneas. Os agricultores não têm que pagar os custos de poluição a jusante. Para além disso, toda a agricultura é subsidiada e ineficiente. Os agricultores têm poucos incentivos para fazer uma gestão racional dos seus recursos e muitos nem são necessários.
Espécies em extinção: se elas são realmente valiosas para alguém, então o que os ecologistas têm que fazer é comprar os seus habitats e criar parques naturais. Parte das receitas para a compra e manutenção podem ser obtidas através do turismo ecológico.
Pescas: Os pescadores não são os proprietários dos cardumes. A gestão da pesca deve ser feita pelas próprias associações de pescadores.
joão miranda, in blasfémias, 24/02/2005
editado por pedro figueiredo
Uma das críticas que é feita ao capitalismo é que os capitalistas, para obterem lucro, estão dispostos a tudo, inclusive a destruir os recursos naturais que geram o lucro. Por exemplo, um agricultor não estaria interessado em investir em métodos de conservação do solo porque o que lhe interessa não é conservar a sua propriedade em bom estado mas sim maximizar a produção agricola para vender o mais possível.
O problema deste raciocínio é que pressupõe que um capitalista está interessado acima de tudo em maximizar as receitas. O que um capitalista pretende é, depois de descontado o seu consumo, maximizar o valor dos seus activos, quer eles estejam sob a forma de dinheiro vivo, quer eles estejam sob a forma de propriedades. Ora, o valor de uma propriedade depende do seu estado de conservação e um capitalista que destrói o seu próprio capital para maximizar a receita está a empobrecer-se. Um capitalista tem mesmo um incentivo para melhorar o estado de conservação das suas propriedades porque se o fizer está a ficar mais rico.
Um agricultor não tem nenhum interesse em destruir o solo das suas próprias propriedades para produzir um bocadinho mais e ganhar um bocadinho mais porque o dinheiro em excesso seria conseguido às custas do valor da sua própria propriedade, porque o valor de mercado de um terreno agrícola é tanto maior quanto maior for o seu estado de conservação.
No entanto, quem explora temporariamente uma propriedade que não é sua terá tendência para maximizar as receitas à custa do estado de conservação e do valor da propriedade. Isto acontece porque quem explora uma propriedade está interessado em maximizar os seus activos e não os activos do dono da propriedade.
joão miranda, in blasfémias, 24/02/2005
editado por pedro figueiredo
Dado que os problemas ambientais são essencialmente problemas de propriedade, o liberalismo tem uma contribuição muito importante a dar para a sua resolução. Isto é como o ovo de Colombo. Se os problemas ambientais são problemas de tragédia dos comuns então a solução não é a criação de um common administrativo para controlar o uso da propriedade comum, mas a privatização dos commons. Como isso deve ser feito depende das circunstâncias particulares de cada problema.
As soluções de inspiração liberal já estão a ser aplicadas por todo o mundo. Aqueles que um tanto jocosamente dizem que o que os liberais querem é privatizar o ar esquecem-se que, em parte o ar já está a ser privatizado. Os países membros da União Europeia acabam de conceder às empresas industriais direitos de emissão de CO2 transaccionáveis em bolsa. Assim, de certa forma algumas empresas têm direitos de propriedade sobre a atmosfera que mais ninguém tem.
Em Portugal, está em curso a privatização da caça. Os terrenos de caça livre estão abertos a todos. Nenhum dos caçadores está muito interessado na conservação da caça e todos estão interessados em caçar. Nas zonas de caça associativa, os caçadores têm que contribuir para a conservação da caça. Os terrenos de caça livre são commons vulneráveis à tragédia. Os terrenos de caça associativa são propriedade das respectivas associações, as quais têm um interesse em conservar os recursos para se manterem atractivas para os seus sócios e clientes.
joão miranda, in blasfémias, 23/02/2005
editado por pedro figueiredo
Muitos ambientalistas perceberam, intuitivamente, que a razão e o pensamento crítico podem não ser bons aliados da sua causa. É por isso que os movimentos ambientalistas se foram afastando progressivamente das suas origens científicas e se parecem cada vez mais com religiões. A vantagem das religiões antigas é que elas se foram adaptando ao longo dos séculos às necessidades de longo prazo das sociedades humanas e os seus dogmas eram compatíveis com a preservação dos commons. O problema da nova religião ambientalista é que os seus dogmas, recentemente inventados, muitas vezes sem suporte científico e em constante mutação, só por acaso é que preservam os commons. Na maior parte dos casos promovem a hipocrisia e o alarmismo fazendo mais mal que bem. Para piorar a situação, a nova religião ambientalista está já a contaminar a ciência e o jornalismo. As formas tradicionais de fazer ciência e jornalismo, baseadas no rigor e na objectividade, continuam a ser os melhores antídotos contra esta nova religião, mas temo que ela já se encontre demasiado espalhada.
joão miranda, in blasfémias, 11/02/2005
editado por pedro figueiredo
A ler de 2 em 2 semanas, para não se distrairem:
Um Troll, na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas. O termo surgiu na Usenet, derivado da expressão trolling for suckers (lançando a isca para os trouxas), identificado e atribuído ao(s) causador(es) das sistemáticas flamewars.Para combater trolls de forma eficiente, aos usuários e frequentadores de comunidades apenas uma grande eficiente regra: Não alimente os trolls. (do inglês Don't feed the trolls). Significa ignorar completamente alguém que se comporta como troll mesmo que a vontade de responder seja grande. Um troll não tem nada a perder, ele sempre vai voltar e incomodar - ele precisa de atenção para obter prazer e ser bem sucedido. Ignorando um troll os usuários não apenas intimidam seu ato como também provocam profundo desgosto e frustração nele. Isso nem sempre é fácil e exige as vezes muito esforço da comunidade por meses mas o metódo é eficiente. Se ninguém absolutamente dá atenção ao troll, ele desiste de actuar por desgosto de não conseguir resposta as suas provocações.
Este ano, decidimos não publicar qualquer texto ou propaganda vindos dos partidos e que estejam relacionados com a próxima campanha eleitoral para as autárquicas em Ourém. Todos os partidos têm acesso a blogs e outros meios de informação na Internet e sendo assim, acabam sempre por ser difundidos via Miradouro.
Isto não impede que cada um, a nível individual, publique e opine o que entenda pelo Castelo, independentemente do seu envolvimento na campanha ou cor partidária.
Nota: referimos recentemente os jantares da CDU e PS por estarem relacionados com as comemorações do 25 de Abril. Continuaremos a publicar e a difundir qualquer informação relevante sobre Ourém e concelho (política, cultura, desporto, sociedade), venha de onde vier (pessoas, partidos, associações, etc).


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