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Sérgio Ribeiro em entrevista ao Notícias de Fátima, aqui.
Muito interessante, diria mesmo, exemplar, a maneira como foi feita a entrevista a José Alho pela Ana Primitivo do Jornal Notícias de Fátima. Bom jornalismo com perguntas certas e inteligentes. No entanto, notei que a versão online está muito mal organizada, não se nota nem existe uma clara separação de perguntas com respostas, para além de estar dividida por vários textos em todo o site e que não ajuda à boa navegação nem para perceber ao que se vai. É por isso que decidi aqui incluir a entrevista neste blog para que possa ser lida na íntegra, acompanhada de uma melhor organização (as perguntas estão destacadas a bold):
Notícias de Fátima (NF) - Dizia no discurso da noite eleitoral que não dava os parabéns ao partido vencedor porque eles tinham feito batota. Essa afirmação pode ser considerada uma declaração de guerra?
José Alho (JA) - Essa crítica mantém-se. Agora temos de aceitar a vontade do povo. Não vamos ser acintosos. Com humildade aceitamos os resultados.
NF - O que é que acontece efectivamente no executivo camarário? Como é que o poder e a oposição se relacionam nas reuniões semanais?
JA - Há uma questão que deve ser desmitificada à partida. A Câmara é uma entidade executiva. Tem de dar despacho à construção de muros, por exemplo. A esmagadora maioria das decisões são aprovadas por unanimidade. Não faz sentido não ser assim porque a maioria dos assuntos são administrativos.
O que faz a diferença? O orçamento rectificativo, por exemplo. Ou achamos que o assunto remete para as responsabilidades da maioria e abstemo-nos. Ou então achamos que é lesivo para os interesses do concelho e votamos contra. Há questões que são de gestão corrente que não faz sentido não serem aprovadas por unanimidade e depois há questões que são fundamentalmente de acção estruturante sobre as quais teremos uma opinião.
Interessante, a entrevista feita a Fernando Lopes, cineasta e antigo director da RTP2, no Jornal de Leiria. Sabia que viveu em Ourém até aos 12 anos? A ler:
JORNAL DE LEIRIA (JL) Como é que se deu o seu encontro com o cinema?
Fernando Lopes (FL) Aconteceu em Ourém. A minha tia Margarida era uma mulher culta que adorava filmes e tinha um lugar cativo no cinema. E como o meu tio não estava muito virado para essas coisas era um bocadinho conquistador, conhecido como o caça meninas a minha tia levava-me ao cinema. O cinema português, na época, tinha uma importância enorme, sobretudo em terras como aquela, em que não havia televisão. Vi quase todos os filmes portugueses dos finais dos anos 40. Quando cheguei a Lisboa, o bichinho recomeçou a mexer... e, como diria o Eduardo Lourenço, quando saiu da sua aldeia para a Guarda, descobri o mundo.
JL Essa noção de pertença aos locais perdeu-se por todo o País...
FL É verdade. Filmei em Ourém durante quatro semanas e aquela não era a minha Ourém. A única coisa que ainda resiste é o quartel dos bombeiros e a prisão, além de um reservatório de água que é quase arqueológico. Depois há as ruas da cidade, que mantêm ainda a toponímia republicana - não foi por acaso que os pastorinhos foram lá parar à cadeia. Nas aldeias, a situação é mais grave. É algo quase inelutável, porque tem a ver com a modernização, com o progresso...
Pode ler toda a entrevista aqui.


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