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As obras de remodelação do Tribunal de Ourém estão a levantar problemas de segurança e a afectar o normal funcionamento da instituição. Segundo Augusto Neves, do Sindicato dos Funcionários Judiciais, "foi feito um mau planeamento dos trabalhos" e a forma como estão a decorrer as obras pode facilitar o eventual acesso de terceiros aos processos guardados no edifício. "A porta por onde entram os operários já foi encontrada aberta uma vez, o que demonstra o pouco cuidado com as questões de segurança", denunciou o dirigente sindical.
Os funcionários, juízes e advogados são obrigados a circular por zonas onde decorrem as obras e a trabalhar "em condições precárias". Para evitar este tipo de constrangimentos, Augusto Neves defende que podia ter sido encontrada uma forma de deslocalizar os serviços temporariamente.
"A deslocalização implicaria que se encontrasse um espaço, que pudesse albergar todo o tribunal e conservatórias, o que nem sempre é fácil de garantir", justifica o Ministério da Justiça. A tutela admite que existiram "problemas de ruído e de pó", mas que já foram "colmatados". A empreitada prevê a criação de mais uma sala de audiências e outros melhoramentos.
A Verourém encerrou na última quinta-feira, dia 1, o Cine-teatro Municipal de Ourém para obras. O objectivo é dotar o espaço de melhoramentos, de acordo com a legislação em vigor, de modo a oferecer-lhe mais funcionalidades e operacionalidades para os fins a que se destina. A empreitada vai ser realizada durante os meses de Julho, Agosto e Setembro, pelo que a sala de espectáculos se encontra encerrada durante esse período.
Na última sessão da Assembleia Municipal de Ourém, o deputado municipal Manuel Guerra (PSD) questionou o presidente do município, Paulo Fonseca (PS), sobre o orçamento das Festas de Ourém e quem havia patrocinado o projecto. Dada a qualidade do programa, que incluía artistas como Deolinda ou Luís Represas, o deputado lembrou que ainda há pouco tempo Paulo Fonseca se queixava do endividamento da câmara municipal.
Paulo Fonseca afirmou-se "orgulhoso" do projecto, considerando que "a qualidade" dos espectáculos, que trouxeram milhares de pessoas ao Parque Linear em Ourém, não precisava de ser discutida. Não indicou o valor total dos custos, mas referiu que se tinham poupado 21 mil euros relativamente aos valores do ano passado, ainda com o executivo anterior de maioria PSD.
"Podia ter apresentado lucros", comentou. Um dos patrocinadores, a marca de cerveja Sagres, queria ter pago logo à partida os quatro anos de apoio já combinados, exemplificou.
Não deixa de ser estranho que, depois de se gastarem 75 mil euros numa demorada auditoria - símbolo máximo da transparência do novo executivo que demorou oito meses!!! - se embrulhe a resposta a uma simples pergunta colocada em assembleia municipal: afinal quanto gastou a comissão de festas?
Ao que parece, a resposta é menos 21 mil euros do que o ano passado. Cidadão que é bom cidadão, só tem é que ter os números em memória, mesmo que o executivo municipal não os tenha numa assembleia municipal.
Mas mais: pela notícia anterior - que é confusa e muito pouco esclarecedora - a coisa podia ter apresentado lucro, mas pelos visto não apresentou. Parece que a Sagres queria adiantar já o pagamento dos próximos 4 anos - exemplifica Paulo Fonseca - mas que o Município não aceitou. Boa gente, a de Ourém, que combina o apoio nos próximos quatro anos, mas que não se importam em receber já o dinheiro, pensa a Sagres...
Já a malta de Ourém, pode pensar uma de duas coisas: ou a CMO está em boas condições financeiras e não precisa do dinheiro - e aí até é um gesto porreiro para com a marca de cervejas -, ou, então, está aqui qualquer coisa mal contada, onde a mensagem de transparência - mais uma vez e cada vez mais - vai ficando mal na fotografia. E é pena. Porque, acima de tudo, o executivo vai perdendo a oportunidade que auditoria trouxe, para se demarcar da forma como a CMO tem vindo a lidar com os números nestes últimos anos.



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