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LADO B - Bruno Nogueira - 09 Maio 2010 www.rtp.pt
A Polícia Judiciária esteve na Câmara Municipal de Ourém e consultou dois processos de obras relacionados com atividade comercial em Fátima, informou hoje o vice-presidente da autarquia, José Manuel Alho.
Num curto comunicado lido aos jornalistas, José Manuel Alho, eleito pelo PS, confirmou "a presença de uma equipa da Polícia Judiciária no dia 10 de março nos Paços do Concelho". "Foi-nos solicitado o acesso a dois processos relacionados com atividade comercial, concretamente em Fátima, processos esses que decorreram no mandato do anterior executivo (de maioria PSD)", declarou, adiantando que o esclarecimento da autarquia deveu-se a "diversas questões que nos têm vindo a ser levantadas por alguns senhores jornalistas". O autarca referiu que a declaração surge no "compromisso entre o dever de informar e a reserva imposta pelo segredo de justiça", esclarecendo que o município prestou "todas as informações que foram solicitadas", mantendo-se disponível "para a colaboração necessária".(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.) Com Lusa
Em causa está o licenciamento do Pingo Doce de Fátima. A CM de Ourém foi alvo de buscas da PJ. A autarquia diz que o caso está relacionado com actividades comerciais do anterior mandato em Fátima. O grupo Jerónimo Martins confirma que também foi alvo de buscas da PJ, há dois dias. O JN dá conta hoje de uma mega-operação que investiga licenciamentos do Pingo Doce, com uma investigação pelo menos a seis autarquias. O caso de Ourém é relatado pela jornalista Ana Isabel Costa.
Milagre do Sol numa sala perto de si, no Cinecartaz, por António Marujo (PÚBLICO):
Realizadores de O 13.º Dia dizem que a mensagem é universal, fala de paz e esperança e não é só para católicos.
Há 92 anos, a dança do Sol causou medos, terrores. Anteontem à noite, provocou aplausos.
O Sol começa a rodar, a rodar. Há espanto na cara de algumas pessoas, lágrimas em outras. Também quem admita que, afinal, errara ao ridicularizar a possibilidade do milagre. O Sol aproxima-se, cai quase até à Terra. Vertigem, uma dança louca. Susto e medo nos rostos.
Víramos já outro medo, outras lágrimas, outra dança. Quando Lúcia e os primos, Francisco e Jacinta, estavam presos para evitar que a aparição da Virgem se repetisse, a 13 de Agosto de 1917. Um dos detidos toca uma concertina, outro convida Jacinta para dançar em plena cela. A pequena Jacinta, sete anos, dança. Mas chora e confessa o medo: o administrador local ameaçara-os de morte - ela, o irmão e Lúcia - se continuassem a contar histórias de aparições.
O 13.º Dia. O filme, dos irmãos Ian e Dominic Higgins, teve estreia mundial anteontem à noite, em Fátima, perante mil espectadores (está já à venda em DVD e irá para as salas no próximo ano). Exactamente 92 anos depois de cerca de 70 mil pessoas terem assistido, na Cova da Iria, ao fenómeno conhecido como Milagre do Sol: após uma forte chuvada, o sol secou a terra num breve instante, começou a rodar e a cair. De repente, tudo parou.
Desde Maio, os três miúdos contavam que tinham uma aparição, a 13 de cada mês. Desde o início, estavam convictos de que se tratava da mãe de Jesus.
O 13.º Dia segue a narrativa oficial, a partir das Memórias da Irmã Lúcia. Conta a história das seis aparições, da prisão das crianças a 13 de Agosto, da visão do Inferno, da previsão da II Guerra Mundial e do Milagre do Sol.
Consequência da opção: os realizadores britânicos ignoram diferenças de pormenor na história que Lúcia foi contando à medida que os anos avançavam ou leituras historiográficas posteriores. Por exemplo, a referência ao comunismo e aos seus "erros" só aparece na década de 1930, quando Lúcia está em Pontevedra (Espanha), num convento - onde se situa o início do filme, com a religiosa a escrever as memórias.
Os maus da fita? O administrador de Ourém e o poder republicano, que ameaçam as crianças e com os quais elas são forçadas a confrontar-se. Os miúdos afirmam que preferem morrer a dizer que não há sobrenatural na sua história.
Para quem não viu a reportagem da SIC no passado dia 14 de Abril:
Um homem, sozinho, está a fazer um aeroporto. Contra a Câmara de Ourém, que nunca respondeu ao projecto que Joaquim Clemente entregou na autarquia no princípio da última década do século passado. A história é contada numa reportagem de José Manuel Mestre, na rubrica Primeiro Plano, na SIC.
A obra começou há quase 21 anos, a partir de um sonho alimentado por um pequeno empresário de Fátima: fazer um aeroporto regional na terra. Sozinho, foi comprando terrenos a meia centena de pequenos proprietários e, com a ajuda apenas de quem depositava restos de entulhos numa encosta perto de Giesteira, a 5 quilómetros de Fátima, construiu uma plataforma e depois uma pista que já tem mais de quilómetro e meio e é maior que a pista do aeródromo de Cascais.
De há vários anos a esta parte a pista é usada no Verão pelo próprio Estado - a Protecção Civil serve-se da obra para base nacional de aviões para combate a incêndios. É a única parte legal no projecto do homem que deu forma ao sonho de fazer uma aeroporto. A obra continua a ser clandestina e a pista não está certificada nem aprovada pelo INAC. Mas há uma curiosidade: a Câmara de Ourém, que nunca aprovou nem travou a obra, já quis tornar-se sócia do projecto...
Precisamos sempre de partidos que lutem por uma sociedade justa e com tendências democráticas. Tem que se fazer um abaixo-assinado por uma sede do PPDPP em Ourém.
Não é uma nem duas, foram logo três empresas municipais. É preciso ter muita lata.


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